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18 de mai de 2013

Cannibal Holocaust

O filme mais controverso da história


Em 1972, o diretor italiano Umberto Lenzi teve uma ideia inspirada no filme ''Um Homem Chamado Cavalo (A Man Called Horse)'' que é um filme onde um aristocrata inglês é capturado por uma tribo e é feito de escravo, e fez em 1972 o ''Il Paese del Sesso Selvaggio (The Man from the Deep River)'' onde conta a historia de um fotografo que é capturado por uma tribo tailandesa que o faz de escravo, a diferença que essa tribo é de canibais. Inclusive foi lançado no Brasil em DVD com o nome de ''Mundo Canibal''. Esse foi o primeiro filme de canibais, que assim criou um sub gênero que foi muito popular na Itália nos anos 70 e 80 com milhares de imitações, umas boas, outras nem tanto.

Off: Existem milhares de sites que tratam desse filme, que novidade poderia trazer aqui ? Talvez nenhuma, mas além de eu ser fã, tem um motivo especial que no final da resenha vocês irão saber o real motivo desse filme estar aqui !

Em 1979, o diretor Ruggero Deodato foi contatado por produtores alemães para dirigir um filme de canibais inspirado no ''Ultimo Mondo Cannibale'' também de Deodato, após aceitar o convite, convidou seu amigo Francesco Palaggi para produção e assim voaram para a Colômbia. Após conhecer uma documentarista no aeroporto de Bogotá, foi sugerido ao diretor uma cidade chamada Leticia que contém um pedaço da floresta amazônica e seria ideal para as filmagens.

Para ter um ''ar'' de documentário, Deodato contratou atores inexperientes em Nova Iorque até porque decidiu fazer esse filme na língua inglesa e ter um publico mais amplo. São eles:

-Gabriel Yorke, o Alan Yates esse escolhido pois era do tamanho ideal para o figurino que tinha sido comprado;
-Francesca Ciardi (que é italiana mas fala inglês), a Faye Daniel;
-Pery Pirkanen o Jack Anders;
-Luca Barbareschi (uruguaio radicado na Itália, mas que fala inglês), o Mark Tomaso;
O ator mais conhecido é Robert Kerman que começou a carreira em filmes de entretenimento adulto (se é que me entendem) sobe o pseudônimo de Richard Bolla.

Os documentaristas antes da viajem a Amazônia
Durante as filmagens, aconteceram inúmeros fatos curiosos até devido ao nível de crueldade que o longa tem, como por exemplo a atriz Ciardi convidou Yorke para fazerem sexo para diminuir a carga de tensão de uma próxima cena, Yorke recusou causando um aborrecimento na atriz; ou na cena de sexo entre os dois onde ela se recusou a tirar a camisa fazendo com que Deodato gritasse com ela.
Teve uma cena muito perigosa, onde os nativos são colocados numa cabana e os personagens de Pirkanen e Tomaso ateiam fogo, aí os índios ficaram tempo demais podendo ter causando um acidente seríssimo.
E a pior de todas é sobre as matanças de animais; sete animais foram mortos durante o filme, seis aparecem no filme, um no caso é de um macaco, onde foi filmado duas vezes. Pirkanen inclusive teria chorado na morte da tartaruga. Dizem que todos os animais foram comidos pelos nativos e pelos atores (mais curiosidades no final...)

Miguel vai preparar o almoço !
Cannibal Holocaust popularizou o gênero ''canibais'' trazendo muita violência explicita, e um estilo de filmagem para parecer um documentário, com a câmera ''tremendo'' em pontos chaves.
Obviamente, foi censurado ou banido em diversos países, para se ter uma ideia, na Itália o filme só foi lançado depois de 20 anos ! Ainda hoje é proibido na Alemanha, Nova Zelândia, Índia entre outros.
Falando em censura, banimento e problemas legais, esse longa trouxe muita dor de cabeça a Deodato, pois na época foi considerado um ''Snuff Movie'' (onde um ator morre de verdade na cena), onde o diretor teve que provar que os atores estavam vivos (Deodato quase foi preso acusado de assassinato), até porque a grande sacada que teve foi por no contrato, onde os quatro atores principais não poderiam aparecer na mídia durante um ano, mas então teve que quebrar para não piorar a situação.
No fim, após provar que os atores estavam vivos Deodato teve sua licença de diretor suspensa devido as mortes dos animais.

Lançado no ano seguinte dia 7 de fevereiro, o filme conta a historia de um antropólogo, o professor Harold Monroe (Robert Kerman) que viaja para a Amazônia a procura de quatro documentaristas que sumiram a dois anos. Monroe encontrada os filmes perdidos que mostram o destino deles.

No inicio e no fim do fime tem uma mensagem para ''enganar'' o espectador a acreditar que esse historia é verdadeira.
''Para manter a autenticidade, algumas cenas foram mantidas sem cortes''
''O projetista John K. Kirov recebeu uma sentença de dois meses de prisão pelo roubo das imagens mas foi alterada por uma multa de 10 mil dólares. É sabido que o mesmo tenha recebido 250 mil pelo material.''
A primeira parte do filme mostra Monroe em busca de pistas sobre o paradeiro dos quatro. Após uma chacina imposta pelos militares aos índios, o antropólogo é apresentado a Chaco (Salvatore Basile) e Miguel (pesquisei muito e não encontrei o nome desse ator) que serão seus guias na selva e ainda terão a companhia de um nativo que foi feito de prisioneiro para ajuda-los nas buscas.
Um dos primeiros momentos de tensão presenciados por Monroe é quando Felipe mata um quati (um animal parecido com o guaxinim) com uma canivete, e como já citado, é uma cena real, sem edições onde o quati morre de verdade. Depois presencia uma mulher ser estuprada e morta por um nativo.
Após passar por ''poucas e boas'' e fazer ''amizade'' com tribos, Monroe já ciente que os quatro estão mortos, encontra as fitas com as gravações e volta para a cidade.

Monroe e Chaco saboreando uma bebida indígena !

Monroe sendo ''molestado'' pelas índias !
Na segunda parte é apresentado o que continha nos filmes, é aqui que o ''bicho pega'', com cenas de estupros, humilhações, mais mortes de animais e muito mais.
Executivos querem que as fitas chegam divulgadas enquanto Monroe é mais cauteloso e é contra a divulgação.
Os trechos onde o documentaristas estão filmando (é realmente os atores que filmam) foram gravados com câmeras de 16mm com nenhuma edição (até porque eles foram mortos certo ?), trazendo mais realidade ao longa. Nunca os quatro aparecem na mesma cena, outra sacada legal de Deodato. Nos videos é revelado como eles foram mortos e a conclusão que se tem é que tiveram um destino merecido (quem viu sabe o porque).

Os documentaristas filmando um parto
A trilha foi composta por Riz Ortolani famoso musico italiano que tem no seu currículo mais de 200 filmes incluindo Kill Bill Vol. I & II, Bastardo Inglorios e Django Unchained. Ganhou um Grammy e foi indicado ao Oscar pela trilha do documentário Mondo Cane. A trilha de Cannibal Holocaust chegou a ser lançada em CD.

Inspirou o filme ''Bruxa de Blair'', mesmo que seus diretores neguem, alias, com o sucesso da Bruxa, Cannibal Holocaust foi relembrado e com isso mais conhecido, e com a ajuda da internet, se espalhou ainda mais no mundo todo. Enfim, se você gosta (como eu) de ''Atividade Paranormal'', ''[REC]'', ''Cloverfield'' entre outros, devemos agradecer Ruggero Deodato !

Cannibal Holocaust fez sucesso (e ainda faz) no mundo todo (claro, nós países que pode ser lançado, dã),
no Japão por exemplo, ficou na época em segundo lugar nas bilheterias, perdendo apenas para o ''E.T'' de Spilberg. Deodato viaja o mundo em festivais de cinema para ainda comentar sobre essa obra. Mas falando em festivais de cinema, o outro motivo que tive para escrever, é devido eu ter assistido no IX Fantaspoa !!
Cannibal Holocaust e Deodato foram homenageados !!!

IX Fantaspoa 2013 - Inicio 



Eu nunca tinha ido no Fantaspoa, sabia que existia, mas não sei porque nunca quis ir, bem, nas minhas navegadas pela internet, li que o famoso diretor italiano estaria aqui em Porto Alegre para receber a homenagem e ainda debater sobre o filme, dia 12/05/2013 ! Seria uma ótima oportunidade para conhecer o Fastaspoa; então uma semana antes, estaria aqui o diretor catarinense Peter Baiestrof numa sessão comentada e assim era uma ótima oportunidade para conhece-lo e também conhecer o ''clima'' de uma sessão desse festival. Como desgraça pouca é bobagem, após 30 minutos na fila, quando chegou minha vez para comprar o ingresso, os mesmo terminaram !!! PQP !!! Parece cena de roteiro de filme trash... =( Enfim, acredito que ano que vem o Peter esteja aqui, mas Deodato não, é uma oportunidade unica para ver o diretor de um dos filmes que mais gosto. Desta vez cheguei bem cedo e consegui comprar o ingresso, ufa.

Após o termino do filme (nunca imaginei que veria Cannibal Holocaust no cinema) começou a sessão comentada que também estava presente o musico Claudio Simonetti que trabalhou com George Romero e Dario Argento e o jornalista Felipe Guerra autor do blog Filmes Para Doidos. Tive a oportunidade de fazer uma pergunta: -como foi gravar com os índios e quais as dificuldade de gravar na selva ?
Resumindo a resposta, foi maravilhoso trabalhar com os índios, fizeram um ótimo trabalho. Tem uma curiosidade que quando chegamos na Colômbia, as tribos estavam numa reserva e estavam muito gordos, não combinando com os guerreiros que tinham que ter no filme, assim convidamos os índios brasileiros que estavam em forma para o longa - respondeu Deodato. (esqueceu de responder sobre a selva, mas tudo bem)

Ruggero Deodato - Claudio Simonetti - Felipe Guerra
Outra curiosidade que o diretor comentou foi quando a cozinheira do filme estava cansada de fazer apenas peixe para comer, e perguntou para o diretor se não tinha outra coisa, foi então que surgiu a morte do porco que alimentou os atores.
O primeiro estupro do filme, na verdade não era uma atriz, e sim a figurinista Lucia Constantini que pediu para Deodato fazer uma cena, e então teve a ideia de filma-la.
O diretor comentou que nos festivais pelo mundo afora, diversos fãs mostram tatuagens referente ao filme, principalmente a cena do empalamento.
A ultima curiosidade, a cena do empalamento, Deodato comentou que foi usado um banco de bicicleta  e um pedaço de canoa, na boca da atriz, que na época era uma adolescente. Quentin Tarantino num festival perguntou ao italiano quando custou para fazer essa cena, Deodato respondeu: uns 10 dólares !

Cena do empalamento direto do cinema !!!
IX Fantaspoa 2013 - Fim

Foi lançado no Brasil em DVD apenas em 2010 (apesar de já ter passado em alguns cinemas na década de 80) pela Platina Filmes, infelizmente ''pelado''; sem nenhum extra, lamentável...

Capas de varias versões de Cannibal Holocaust
Concluindo, esse filme é para poucos, se você já assistiu as series ''Faces da Morte'' e ''Traços da Morte'' não terá dificuldade para ver Cannibal Holocaust que apesar de toda a violência, traz ainda uma lição: quem são os verdadeiros canibais ?





Trailer

                                      

Cannibal Holocaust
Itália
95 minutos - 1980

Direção:
Ruggero Deodato

Elenco:
Robert Kerman (Harold Monroe)
Gabriel Yorke (Alan Yates) 
Francesca Ciardi (Faye Daniel)
Pery Pirkanen (Jack Anders)
Luca Barbareschi (Mark Tomaso)
Salvatore Basile (Chaco)
Ricardo Fuentes (Felipe) 


Download (versão legendada sem cortes)

Extras:

In the Jungle: The Making of Cannibal Holocaust
Download (legendado em inglês)

Trilha sonora
Download

Quer mais uma informações ?  Leia o artigo do Felipe Guerra na revista Rumores
Clique aqui
Comentários
14 Comentários

14 comentários:

  1. Eu vi esse filme pela primeira vez por volta de 82 no fabuloso cine Marrocos que era no centro de São Paulo peguei a primeira sessão que era por volta das 10 da manhã, a cena que acho foda é a do guia que tem a perna amputada (cena bem demente por sinal) um gordinho que tava no cinema começou a vomitar depois da cena e lembro até hoje ele dizendo.."E muito pra mim vou embora"...háhá foi engraçado ver o gordinho chamando o "juca". O marrocos era fabuloso com uma escadaria de mármore sala de espera com poltronas gigantes vermelhas e teto com espelhos em angulo, bons tempos aqueles e valeu pelo release, abraço!

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  2. Esse filme é realmente demais ! Valeu por postar e ainda com um documentário !

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  3. Já vi algumas cenas avulsas desse filme aí pela Internet. Mas ainda não vi o filme todo.
    Bom, sou totalmente contra matar animais (ou pessoas, evidentemente) pra fazer um filme. Mas, como aqui os animais foram consumidos pela equipe... Continuo sendo contra, mas acho que aí fica menos agressivo (afinal, matar pra comer não é um ato antiecológico).
    Sobre A Bruxa de Blair, é claro que algumas ideias de lá foram plagiadas de Cannibal Holocaust. Mas outro filme que também passou por isso foi um slasher de 1977 chamado Rituals. A história da Bruxa de Blair como um todo é uma imitação da história de Rituals. Mas como esse último é um filme muito pouco conhecido, isso raramente é mencionado.

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  4. Show de bola BT, muito obrigado pelas informações !
    Esse filme Rituals nunca tinha ouvido falar, e como sou curioso, vou ir atrás de mais informações e quem sabe postar aqui um dia.
    Vi que ele também é conhecido com The Creeper, o bom que existe o IMDB para nos salvar !!!!
    Nada se cria tudo se copia !
    Abraço

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  5. Gostei dos extras, valeu

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  6. Nunca tinha assistido esse filme, apesar de sempre ouvir falar dele (bem ou mal),o filme é muito bom HAHAHA

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  7. O Jack, Alan, Felipe e a Faye morreram de verdade nesse filme que coisa triste

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  8. Eu baixei e assisti: Sinistro, com ares de feito a facão. Particularmente fico com "Bruxa de Blair", mas não desmereço sua inspiração que tem as suas qualidades de acordo com sua proposta e a estrutura de seu tempo.

    abraço

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  9. Dos filmes de canibais, esse com certeza é o melhor, depois gosto de canibal ferox, mesmo com toda aquela violencia gratuita

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  10. o link da Trilha sonora esta off e tbem o link In the Jungle: The Making of Cannibal Holocaust esta off,por gentileza reuposte

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    Respostas
    1. In The Jungle reupado !
      A trilha sonora ainda não.

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